A reforma tributária em eventos deve mudar a forma como agências, produtoras e marcas planejam projetos, contratos e fornecedores. Durante muito tempo, a área financeira entrou nos projetos quase como uma etapa de validação: orçamento aprovado, nota fiscal, pagamento, fornecedor e controle de margem.
Essa lógica começa a mudar com a transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo. A Receita Federal trata 2026 como ano teste da CBS e do IBS, com alíquotas de 0,9% para CBS e 0,1% para IBS, além de compensação com PIS e Cofins no mesmo período de liquidação.
Por isso, o tema já entrou na rotina de quem opera eventos. Embora a carga tributária final ainda concentre boa parte da discussão, o impacto real também aparece em planejamento financeiro, documentação fiscal, contratos, fornecedores, créditos e fluxo de caixa.
A Lei Complementar nº 214/2025 regulamenta pontos centrais do novo modelo e prevê incidência de IBS e CBS sobre operações com bens e serviços. Para o mercado de eventos, isso reforça a necessidade de olhar a cadeia inteira da entrega, não apenas a nota emitida no fim do projeto.

o impacto não vai ficar só no imposto
a discussão mais óbvia é a carga tributária. ela importa, claro. só que parar aí deixa muita coisa fora da mesa.
mas, no setor de eventos, a reforma deve bater em pontos muito práticos: formação de preço, fluxo de caixa, negociação com fornecedores, aproveitamento de créditos, documentação fiscal e revisão de contratos.
um projeto que envolve vários estados, por exemplo, pode ter novas leituras de custo por causa da tributação no destino. uma produção com muitos fornecedores pequenos pode demandar mais atenção à emissão de documentos e ao controle de créditos.
uma entrega com prazo curto pode ficar mais sensível se a empresa não tiver processos financeiros bem organizados.
é esse tipo de detalhe que transforma uma mudança fiscal em mudança operacional. a criatividade continua sendo central no mercado de eventos. ninguém discute isso.
a diferença é que, daqui para frente, criatividade sem previsibilidade financeira tende a custar caro.
a área financeira precisa entrar antes. não apenas para dizer se o projeto cabe no orçamento, mas para ajudar a desenhar uma operação saudável desde o começo.
isso inclui pensar margem com mais precisão, entender o impacto tributário por tipo de fornecedor, revisar cláusulas contratuais, acompanhar fluxo de caixa e projetar cenários durante a transição.
em empresas que operam muitos projetos simultâneos, esse cuidado deixa de ser diferencial e vira condição de sobrevivência.

joão lessa, cfo da faro.ag, resume bem o tamanho dessa mudança:
“a reforma não impacta apenas a carga tributária, mas principalmente a forma de organizar contratos, negociar com fornecedores e estruturar financeiramente cada projeto. no setor de eventos, antecipar esse movimento significa operar com mais eficiência, previsibilidade e segurança para os clientes.”
o cliente também sente essa diferença
para marcas que contratam eventos, a reforma deve mudar a forma de avaliar parceiros: não basta olhar portfólio bonito ou boa ideia de ativação.
vai pesar cada vez mais a capacidade da agência ou produtora de entregar previsibilidade, transparência e segurança contratual.
por isso, a gestão financeira passa a fazer parte da percepção de valor do cliente.
ela aparece menos no palco, mas sustenta boa parte do que acontece nele.
joão enxerga esse movimento como uma virada de cultura dentro do setor:
“o mercado de eventos sempre foi muito orientado à entrega criativa e à execução. agora, a gestão financeira ganha mais protagonismo dentro das operações.
a reforma tributária exige um nível de planejamento muito mais detalhado, principalmente em projetos que envolvem uma cadeia extensa de fornecedores e diferentes frentes de operação.”
a tendência é que a adaptação à reforma acelere o uso de tecnologia dentro das operações financeiras de eventos e live marketing.
isso não significa transformar agência em escritório contábil. significa entender que criatividade, operação e inteligência financeira precisam trabalhar juntas.
na prática, a entrega melhora quando essas áreas conversam cedo.

o que a faro está olhando
na faro.ag, esse tema vem sendo acompanhado como parte da evolução da própria operação. a agência atua com projetos de alta complexidade, muitos fornecedores, diferentes formatos de contratação e entregas em praças variadas. nesse contexto, qualquer mudança tributária precisa ser analisada com antecedência.
a adaptação passa por revisão de contratos, planejamento financeiro, acompanhamento das mudanças regulatórias e integração maior entre as áreas envolvidas em cada projeto.
a reforma tributária ainda vai passar por ajustes, dúvidas e novas interpretações. normal. um sistema desse tamanho não muda sem ruído. para o mercado da agência, o ponto principal já está claro: a gestão financeira deixou de ser bastidor e faz parte da rotina de todas as áreas.
